
Na Foto: Francisco Nicholson, Nicolau Breyner e José Boavida
Quinta-feira, 21 de Abril, à já longa lista de celebridades mortas em 2016 juntou-se o nome de Prince. O ano ainda nem vai a meio e já perdemos mais nomes sonantes da música, do espectáculo, da literatura e do cinema, do que no passado. O facto levou a que dois jornalistas da BBC desenvolvessem uma teoria para explicar a razão de tantos óbitos.
O ano nem bem tinha começado e, a 10 de Janeiro, surgiu a notícia que deixaria o mundo da música de luto: “Morreu David Bowie”. Logo a seguir foi o actor Alan Rickman e, a partir daí, a lista não parou de aumentar: Harper Lee (escritora); Umberto Eco (escritor); Jacques Rivette (cineasta); Johan Cruyjff (futebolista); Ettore Scola (realizador); George Martin (produtor – o quinto Beatle); Zaha Hadid (arquitecta); entre outros.
Em menos de um mês, Portugal também perdeu dois nomes grandes do mundo do espectáculo: Nicolau Breyner e Francisco Nicholson.
Perante tantos desaparecimentos, Roland Hughes e Laura Gray, da BBC, tentaram responder à questão: “Esta onda de mortes de celebridades é a nova normalidade?” E a conclusão a que chegaram não é animadora.

Os jornalistas recorreram a um especialista na matéria, o editor de obituários da BBC, Nick Serpell, que lhes deu resposta afirmativa à questão anterior. Através dos dados fornecidos por Serpell elaboraram um gráfico onde se verifica que desde 2012, o número de personalidades mortas, nos primeiros três meses do ano, quase quintuplicou (e não tendo em conta dados internacionais).
Até Março de 2012 foram publicadas cinco necrologias, no ano a seguir oito, número que subiu para 11 em 2014 e para 12 em 2015. Este ano bate todos os recordes com 24 obituários publicados nos primeiros quatro meses do ano.
Comparam depois os dados com os do Daily Telegraph e confirmaram a tendência: em Abril de 2014 tinham sido publicados 38 obituários de celebridades, em Abril de 2015 baixou para 30, mas este ano já vão em 75.
Nick Serpell tem uma explicação: “As pessoas que começaram a ser famosas nos anos 60 estão agora a entrar nos 70 anos e começam a desaparecer”. Além disso, diz que “há mais pessoas famosas do que havia”.
A maior parte das personalidades que morreram em 2016 tinham mais de 65 anos, ou seja, pertenciam à geração Baby-Boom que surgiu depois da II Guerra Mundial, mais propriamente entre 1946 e 1964, em que se assistiu a um enorme acréscimo da população. São essas pessoas que têm agora entre 70 e 52 anos que estão a desaparecer – como é o caso de Prince (57) ou David Bowie (69).
Por isso, o melhor é preparar-mo-nos para mais más notícias, é que, como diz Serpell, “nos próximos dez anos, essas pessoas [Baby boomers] vão ter, pelo menos 80 anos, e o fenómeno vai multiplicar-se”.
Um texto de Nuno Paixão Louro – Jornalista Sábado

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