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Júlio Isidro «Agora já posso morrer»

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Emocionante

Júlio Isidro relata situação que viveu

 

“A MELHOR PRENDA DE NATAL.
– Agora já posso morrer. Já o vi pessoalmente.
A senhora sorri para mim e abraça-me com força que a idade não permite , mas a amizade ultrapassa.
Estou na Festa de Natal do INATEL para que fui convidado como “mestre de cerimónias”.
Rodeado de mais de seiscentas pessoas entre o Outono e o Inverno das suas vidas e também da minha,
E vem um casal:- Estamos velhotes mas envelhecemos consigo.
Uma senhora abraça-se a mim : Eu sou sua avó.
Pede ao marido para lhe tirar um retrato , há tanto tempo que não ouvia esta palavra, e desculpa pelo incómodo.
Dou as boas vindas aos 600 convivas na idade dos cabelos brilhantes de vida vivida e sou aplaudido de pé.
Desde a flecha no coração, a frase da senhora que agora já podia partir depois de ter visto este ser, até agora virtual, ainda não me recompus.
A festa de Natal do INATEL durou oito horas durante as quais sorri, abracei, dancei e chorei para dentro.
Isto sim é Natal, quando se oferece um cheque à APAV, Associação de Apoio à Vítima , verba resultante de uma pequena percentagem dos custos deste dia assumidos por aquela gente que recebe pensões, muitas apenas migalhas de um país que faz pouco pelo muito que eles fizeram numa vida de trabalho.
A minha conversa com a presidente da APAV indiciou-me um mundo de violência que nem o pensamento mais pérfido me permitiria alcançar. Os velhos são excrescências de filhos e netos que os abandonam nos Natais e nos Verões para “festejarem” as quadras do amor e do descanso.
Isto sim é Natal, quando no final do magnífico jantar e com um brinde colectivo de espumante , todos os convivas tinham em cima da mesa uma prenda feita por meninos e meninas das CERCIS – Cooperativas de Ensino e Reabilitação de cidadãos inadaptados.
Foram muitas mãos de gestos porventura limitados, que executaram mais de 600 trabalhos. A mim tocou.me este coração que vou guardar junto ao meu.
Isto sim foi Natal criado por uma fantástica equipa do INATEL onde me senti como num lar enorme.
Tantos abraços,tantos retratos, tantos a dizerem-me para continuar, tantos a perguntarem-se onde vou buscar energia, tantos /todos a saber de cor o meu Inesquecível da RTP Memória e até algumas senhoras mais atrevidas a garantirem.me que sou mais “bonito ” ao vivo e a cores.
Até uma mãe Natal que me tratou por Marcelo e me pediu uma foto.
Perto do final, após uma cativante actuação de Alexandra, uma homenagem a um casal que celebrava as bodas de ouro. Quando os chamei, a senhora não veio. Apareceu mais tarde, muito debilitada abraçada pelo marido carinhoso.
– Eu hei-de vencer isto com a ajuda de Deus e da minha querida filha que é médica. E vim para o ver….
Foi demais. Brindei e saí de volta a casa.
Chovia fora e dentro do carro. E eu a pensar que as minhas angústias sobre o que cá tenho andado a fazer tiveram durante oito horas um aceno de que tem valido a pena.
Não têm nada que me agradecer. Sou eu que vos digo obrigado e …muitos Natais.” – escreveu o apresentador da RTP

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