Mário Augusto,a voz do cinema da RTP, faz declaração de Amor

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Mário Augusto

O jornalista da estação pública aproveitou o dia de hoje para fazer uma enorme declaração de amor.

Leia agora, na íntegra, o texto que Mário Augusto dedicou a si e à sua mulher:

“Ena pá como o tempo passa!

Não sou muito de declarações de amor públicas e partilhadas por aí ao vento digital, como muitos post´s que vou vendo de quem conheço nos cruzamentos da vida sem andar ás voltas das rotundas da família. Ri-o em surdina como que percebendo a expiação de pecadilhos numa atitude pública de coisas que são pessoais e muitas vezes cartazes publicitários de uma relação com fotos bonitas de revista para inglês ver.

Casei com esta “miúda” faz hoje 29 anos. Não venho para aqui dizer banalidades como “Amor da minha vida” …” Que seria de mim sem ti!” …ou aborrecer os leitores com Emogis #(asteg) de paixão blá blá blá.
Deixo esses copy pasts que muitas mulheres enganadas tanto gostam, para depois comentarem entre elas no cabeleireiro ( vem a talhe de foice a canção Miguel Araújo – “Os maridos das outras são”).
Apetece-me falar de flores e de uma em particular. O Amor perfeito. Sempre me intrigou porque chamam a estas flores amores-perfeitos. Há nomes que guardam desde logo histórias, aguçam a imaginação. Igual espanto guardo do nome que a língua inglesa dá ao maracujá́, “fruto da paixão” (passion fruit).
Será́ amor-perfeito pelo equilíbrio simétrico das pétalas
em forma de abraço juntinho, aconchegado? será́ das cores fortes e contrastantes?
Tal como na vida fora dos canteiros, os amores-perfeitos são frágeis, delicados. Devem ser tratados com carinho porque, não sendo raros, poucos resistem às intempéries dos jardins desta vida. É simples o fertilizante destas flores: dêem-lhes atenção, cumplicidade correspondente como se cada flor, apesar de igual às restantes do vaso, fosse aquela única que aos nossos olhos brilha mais do que outra qualquer. Mas atenção: são flores que morrem ou murcham muito rápido Há que aproveitar sem as cortar do canteiro da vida.

Eu e a Paula lá vamos regando o canteiro da forma que sabemos cúmplices e sem espalhafato.

A liberdade e a cumplicidade não têm dose certa para cada um, são laboratório aberto e atento às experiências da vida. Até lá, enquanto os filhos crescem, (são eles a prova de saudável relação cúmplice) mostrar-lhes em exemplos nesse núcleo central de família, genuíno e próximo, mostrar-lhes – dizia – que os amigos não são todos os que nos batem nas costas.

Contar-lhes que um conselho dito pode não querer dizer exatamente o que ouvimos, ou queremos ouvir.

Dizer-lhes, sem impor, que partilhar pode ser, para quem dá, uma forma diferente de pronunciar o verbo receber.

Fazer-lhes sentir, com os exemplos da relação, que um sorriso, perante a amargura e a má vontade, por vezes corta mais que as facas geladas da indiferença, especialmente a quem nunca soube verdadeiramente sorrir e ser genuíno numa relação.

Tudo isto se exercita em casa, desde que a palavra família seja verdadeira sem truques nem “mentirinhas”. Quem se esconde logo a partir de casa nunca se mostra para fora.

Jean-Paul Sartre dizia que a família é como a varíola, todos têm em criança e ficam marcados para o resto da vida. Quem sou eu para acrescentar o que quer que seja a um pensamento do escritor e grande filósofo francês, representante maior do existencialismo?

Quando temos uma família de bem com o vírus da sociedade atual, vacinada e atenta aos sintomas das maleitas de hoje, podemos ter febres por uns dias, dores musculares e umas pústulas que deixam marca para sempre, mas ficamos imunes a um novo ataque. É na família que se pode ter o equilíbrio e a vacina deste mundo exterior tão agreste e viral.

Que se lixem as declarações de amor roubadas da internet. O que interessa é que eu e Paula, com sorrisos, amuos, muita alegria, algumas tristezas buriladas e nunca esquecidas porque nos fazem melhores. Andamos há 29 anos a fazer pela vida e a concluir todos os dias que valeu a pena e que de dois somos hoje cinco. Cada um na sua forma de estar lá vai crescendo e aprendendo com o exemplo que lhes damos.

Porque será afinal que se chama amor perfeito a uma flor de canteiro? Quando passar por uma não a corte porque murcha, contemple sem precisar de cheirar. Um bom domingo

Mário Augusto”

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