Filipe La Féria escreve texto de homenagem a Mariema

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Filie La Féria homenageia Mariema

O encenador e dramaturgo português fez , há pouco, uma grande homenagem à actriz Mariema que morreu há mais de um mês.

” Mariema – O Fado já não mora em Lisboa

Quem teve a sorte de, como eu, ver a estreia de Mariema no Pavilhão Português – um teatro ao ar livre onde o empresário do ABC, José Miguel, levava revistas de Verão – soube logo que ali estava uma futura grande vedeta do Parque Mayer.

Tudo em Mariema era diferente: o corpo esguio e desengraçado, as mãos longas e expressivos, o jeito muito alfacinha de representar e sobretudo a voz fresca, vibrante e melodiosa. A revista chamava-se “É Regar e Pôr ao Luar” e era o tema da marcha popular que Mariema cantava e arrebatava o público. Dali passou, já como primeira figura, para o Maria Vitória onde teve o maior êxito da sua carreira – “O Fado mora em Lisboa” que se tornou um sucesso e que saltou do palco para a rua. Amália Rodrigues aplaudiu-a e elogiou-lhe o timbre tão particular da sua voz.
Foi no Maria Victória que Mariema teve os grandes números como actriz, levando o público ao rubro com a sua graça e a sua veia de comediante, vibrante e popular, sendo nesses anos setenta “a menina Ie-Ie” de Portugal.

Correu todos os palcos do Parque Mayer ficando na memória as suas rábulas com Eugénio Salvador, Max ou Lígia Telles. Era única na sua maneira de andar, de atirar uma piada, na cumplicidade e simpatia que tinha com o público, ganhando vários prémios da imprensa e da crítica e afirmando-se como a última grande vedeta do Parque Mayer.

Chamei-a para protagonizar o programa da RTP “Grande Noite”, onde Mariema, em plena forma como actriz e cantora, registou os seus mais conseguidos números demonstrando a diversidade do seu talento. Depois, no Politeama, no musical “Amália”, interpretou durante seis anos consecutivos o papel de Lucinda Rebordão, a mãe de Amália, com uma comovente humanidade e talento. Em Paris recebeu os maiores elogios da crítica. Le Monde comparou-a a Anna Magnani.

Já no crepúsculo dos deuses participou em “My Fair Lady”, em “Seis Personagens à Procura de um Autor” de Pirandello ou “As Três Irmãs” de Tchékhov demontrando mais uma vez o seu carisma de comediante. Despede-se do público no seu Maria Victória rodeada de gente nova que muito gostava dela.

Quem a conheceu de perto viveu com ela histórias inacreditáveis e imprevisíveis pois Mariema era, no palco e na vida, única, maravilhosa e impossível, terna e agressiva, humana e diva.

Tenho muitas saudades dela, das Ceias de Natal na Casa do Artista, do seu sorriso e dos apartes picantes e assertivos.
Querida Mariema, quando eu chegar ao céu dos artistas vou fazer a maior revista e tu vais descer entre as nuvens e as estrelas a escadaria da eternidade

O teu amigo e admirador
Filipe La Féria” – escreveu nas redes sociais

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