José Rodrigues dos Santos: “PS, PSD, CDS deixaram de gostar de mim(…) acho que é bom”

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Foto: Observador

Entrevista

José Rodrigues dos Santos numa grande entrevista, dada ao jornal Observador

O pivot e jornalista da RTP fala de tudo sem tabus, numa entrevista surpreendente.

Em 2016 esteve envolvido numa polémica sobre a evolução da dívida pública em Portugal. Mostrou um gráfico no Telejornal com dados factuais, mas depois foi criticado por dirigentes do Partido Socialista. José Magalhães disse que o gráfico era uma vigarice e João Galamba classificou-o como especialista em desinformação. Pelos vistos, a verdade tem muitas faces.
Olhe, quando era diretor da informação da RTP apanhei um governo PS e um governo PSD-CDS. Penso que os três partidos deixaram de gostar de mim por eu ter sido diretor de informação, o que eu acho que é bom.

É bom porque mostra que foi independente?
Claro. Aprendi na BBC que não podemos fazer um jornalismo conformista. Mas lembro-me de que no tempo do PSD-CDS a administração da RTP dizia-me que o primeiro-ministro tinha protestado por causa de tal notícia e que isso era muito grave. E eu respondia: “Muito grave porquê?” Eles: “Porque é o primeiro-ministro.” A minha preocupação era: ele tinha razão ou não? Não é o facto de ele protestar que lhe dá razão. Se há um protesto, vamos analisar, mas se não tem razão, não tem razão. Os políticos podem protestar, mas os factos são factos. O que apresentei em 2016 foi uma evolução da dívida pública, aquela evolução corresponde à verdade, é matéria de facto, não se consegue contestar. Ninguém contestou, disseram só que eu era um grande malandro. Agora, se um político reconhece aquilo como verdade, mas acha que não lhe convém que se fale daquilo… Não acho que os políticos sejam todos iguais, mas têm traços comuns e um deles é a verdade instrumental. Se o dado não convém, tentam intimidar, para não se voltar a falar daquilo. Quando escrevi O Último Segredo, que punha em questão a mensagem de Jesus tal como é apresentada pela igreja, fui muito criticado. Mas havia alguma mentira no que escrevi? Eu estava disponível para alterar algum facto que estivesse errado.

“Como escreve essas coisas em romances, as pessoas podem achar que não está a ser factual.
Claro, é legítimo. A literatura não nos apresenta a verdade acabada. Um leitor francês dizia-me há pouco tempo que lia os meus romances com o Google ao lado, para ir verificar. E não encontrou nada errado. Outra polémica em que estive envolvido: por causa de um texto que um repórter me deu, que estava equivocado, acreditei que o deputado mais velho do parlamento era uma reformada do Bloco de Esquerda e, afinal, era um deputado do PS [Alexandre Quintanilha]. Nenhum problema: cometi um erro factual, corrigi. Os factos são sagrados.

Fica incomodado quando políticos o criticam?
Não, faz parte do processo político de intimidação para calar os jornalistas. As pessoas podem fazer o folclore que quiserem, se os factos são falsos, temos de corrigir, e estou sempre disponível para isso. Se são verdadeiros, azarinho.”

Por vezes aparece na imprensa que o seu salário mensal na RTP é de 12 a 14 mil euros por mês. Pode confirmar?
A minha relação com a RTP, nesse aspeto, é confidencial. Uma coisa posso garantir: ganho menos do que ganharia na privada. Tive convites para sair da RTP e fiquei sempre, a receber menos do que receberia na privada.

Porque é que sacrificou esse aspeto?
Porque me sentia bem, porque acreditava no projeto.

O seu salário na RTP gera anticorpos dentro da empresa e aos olhos dos portugueses?
Não sinto isso.

Gostaria de ser mais repórter e menos “pivot”?
Estou contente com o que faço, estou ao serviço da RTP para aquilo de que precisarem. Qual foi a última reportagem que fiz? Não sei, acho que foi o Brexit. A direção de informação tem o seu entendimento e é legítimo, aceito e compreendo perfeitamente.

Excerto da entrevista do Jornal Observador feita a José Rodrigues dos Santos.

In, Jornal observador

 

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