Eládio Climaco: “Já não presto para nada”

Eládio Climaco em Entrevista

O eterno rosto dos “Jogos Sem Fronteiras” numa entrevista onde fala abertamente e diz o que pensa.

No passado sábado, no programa da SIC “Alta Definição”, Eládio Climaco disse, entre muitas outras coisa, isto:

“Aquilo que é normal num homem de 76 anos que teve uma vida preenchida, cheia, que viajou pelo mundo, que fez televisão. Estou reduzido à minha casa, a três amigos íntimos – quatro, cinco… contam-se pelas mãos. É o meu mundo. Não me roubaram a alegria de viver. Roubaram-me o prazer de viver”

“Sou descartável, não presto para nada. Neste país, as pessoas são descartáveis aos 70 anos, coisa que não acontece nos outros países (…) não olho para a frente”.

“Perdi amigos, sim. Porque talvez tenha feito pressão para isso. Eram falsos amigos. Eram meus conhecidos que eu tratava bem, mas aquela amizade tinha de morrer”

“A minha cabeça está fresca, mas eu estou um bocadinho esquecido porque estou com uma depressão. É normal. Há coisas do dia-a-dia que fazem as pessoas entrar em depressão. Começo já a ver que há coisas que tenho de tratar, porque a morte aproxima-se”

Quando morrer, não quer ser cremado: “Aquela frase ‘Da terra vens, à terra tornas’… Eu estou a pensar se é isso que eu quero. E o pensar faz-me mal. E quando penso muito apetece-me ir tomar um copo ao Bairro Alto”.

Já em outra entrevista, no jornal Observador, Eládio Climaco fala da sua saída da RTP:

“Fez muitos outros programas na RTP. Magoou-o quando em 2012 — que foi quando fez 70 anos — teve que deixar os quadros da RTP e se reformar? Lembro-me de na altura o Eládio dizer: “Estou à espera de voltar. Mais que não seja para me enganar a mim próprio…”
Não é bem magoar. Entristeceu-me muitíssimo, isso sim. Porque eu entreguei-me durante 42 anos à televisão, de alma e coração, vivi para a televisão. A minha vida era a família e a televisão. Fiquei sem pai, fiquei sem mãe e a última com que fiquei sem foi a televisão. De maneira que eu saí de lá um bocado triste por sair de frente das câmaras. E triste porque as pessoas quando saem da RTP são praticamente esquecidas pelos da casa. Mas são, felizmente, lembradas pelo público.”

VEJA A ENTREVISTA AQUI

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