Paulo Abreu diz que Nuno Artur Silva criou a pior RTP de sempre

Paulo Abreu critica gestão de Nuno Artur Silva

O comentador de televisão Paulo Abreu considera má a passagem do ex-administrador de conteúdos da RTP.

Foi através do seu habitual espaço de comentário, que o jornalista deixou a sua opinião.

“A pior RTP de sempre

Isto é que é grave: Nuno Artur Silva não percebeu a razão do seu afastamento, ele que, ao fim de três anos, pouco fez para acabar com a suspeita de negócios pouco transparentes entre a estação pública, a sua produtora e o seu canal no cabo.

Já com a guia de marcha na mão, mas ainda a exercer responsabilidades na RTP como administrador de Conteúdos, Nuno Artur Silva recorreu, há dias, ao Facebook para escrever um extenso texto de despedida. Na hora do adeus, o também patrão do Canal Q e Produções Fictícias decidiu desferir um ataque violento a destinatários incertos. “Campanha difamatória, reles, miserável e sem escrúpulos…” ou “a pior escumalha da comunicação social” são apenas alguns dos termos utilizados na sua carta.

O pior do discurso, sinceramente, nem é isto. É, sim, verificar que Nuno Artur Silva não percebeu a razão do seu afastamento, ele que, ao fim de três anos, pouco fez para acabar com a suspeita de negócios pouco transparentes entre a estação pública, a sua produtora e o seu canal no cabo. Diz o quase ex-administrador da RTP, na sua carta de despedida, que tem recebido dezenas e dezenas de mensagens de solidariedade e de agradecimento, de amigos e não só, pelo trabalho “empolgante” desenvolvido no seu mandato por “excelentes equipas”, em prol de uma estação onde se evidencia cada vez mais o serviço público.

Não sei de que serviço público fala realmente Nuno Artur Silva – ou os seus amigos ou conhecidos. Sei que as audiências de RTP1, RTP2 e RTP3 estão nos mínimos históricos; sei que o descontentamento na empresa é enorme; sei ainda que os formatos que mais atraem público ao ecrã são do tempo do antigo director de Programas, Hugo Andrade, como o The Voice Portugal e o Got Talent; e sei também que, das muitas apostas que fez na ficção nacional, algumas com avultados investimentos, não houve uma que tenha marcado um espectador, tal é a sua mediocridade.

Não me vou basear nas últimas críticas do Conselho de Opinião da RTP e no Conselho Geral Independente, lamento apenas que a estação pública esteja (bem) longe de ser aquilo que imagina Nuno Artur Silva. Dou um exemplo concreto, que aconteceu no domingo, dia 4: o Sporting sagrou-se campeão europeu de corta-mato em masculinos e femininos, em Mira, e a estação pública não transmitiu o evento. Pior: nem uma equipa de reportagem enviou a esta vila do distrito de Coimbra. Mas percebo: o Super Bowl é muito mais importante… “ – escreveu

Paulo Abreu já tinha criticado Nuno Artur Silva anteriormente por o ex-admin istrador da RTP ainda não se ter demitido após as notícias da TV Guia e o Comunicado da Comissão de Trabalhadores da RTP:

“Obviamente, demitam-no

Se Nuno Artur Silva está agarrado à cadeira do poder, alguém que mande a sério na RTP ponha este administrador na rua. Estamos fartos de negócios pouco transparentes.

1. A RTP está a ferro e fogo, depois de uma notícia exclusiva da ‘TV Guia’, há duas semanas, que dava conta de mais negócios pouco transparentes na empresa, um deles a série ‘País Irmão’, nascida no berçário das Produções Fictícias, produtora que continua a pertencer a Nuno Artur Silva, administrador da estação pública e proprietário do Canal Q. O comunicado da Comissão de Trabalhadores, emitido na sexta-feira à noite, é sintomático.

“A actual RTP tem um director de Programas (Daniel Deusdado) que passou a sua produtora de vídeo para a posse da esposa, um administrador para a área dos Conteúdos (Nuno Artur Silva) que tem um canal de televisão em concorrência directa com a própria empresa, e um colaborador (Virgílio Castelo) que emite pareceres sobre a aquisição de projectos de ficção onde participa como actor. Isto poderia acontecer na BBC? Isto não é exemplo para nenhuma empresa pública em Portugal e não acontece em nenhuma estação de serviço público no mundo civilizado.” 

Já se percebeu que, mesmo com uma nova polémica, baseada em factos verdadeiros, com as justificações mais disparatadas que se possa imaginar, com os trabalhadores revoltados, Nuno Artur Silva não quer deixar a cadeira do poder. Com uma administração prestes a ser reconduzida para um outro mandato, de três anos, é óbvio que alguém o deve demitir.

A RTP, a estação de todos os portugueses, e paga por todos os portugueses, merece melhor.

A começar pela transparência, coisa sempre rara no nosso país. Como escreveu, um dia, José Saramago, “não tenhamos pressa, mas não percamos tempo”.

2. Ainda na RTP, que decidiu apostar em quatro mulheres para apresentar o Festival da Eurovisão da Canção, em Maio. Se Catarina Furtado me parece um nome consensual, se Sílvia Alberto e Daniela Ruah podem ajudar a formar uma boa equipa no palco, já a escolha de Filomena Cautela, quando a estação pública tem, por exemplo, Sónia Araújo e Tânia Ribas de Oliveira, duas profissionais talentosas, deixa-me sérias dúvidas. Aliás, todas, como se pode confirmar no programa 5 Para a Meia-Noite.”

Estas duas crónicas de opinião são da autoria do jornalista Paulo Abreu.

Anúncios

Deixa o teu comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s