TV Globo fez investida para comprar 50% da SIC.

TV Globo fez investida para adquirir 50% da SIC

É o jornalista Joaquim Vieira que faz a surpreendente revelação!

Numa entrevista ao jornal SOL, Joaquim Vieira fala da actual situação da SIC e responde assim, às perguntas do jornalista:

“Como vê agora o estado do grupo?

É quase uma história de ascensão e queda. O grupo estava com uma dívida muito grande e não estava a ter a rentabilidade necessária. É uma situação que não será nada fácil de resolver, tendo em conta o quadro geral dos media, por causa  da crise que os meios convencionais vivem graças ao digital, o acesso livre aos conteúdos, o Facebook, etc. E quanto maior é o grupo, maior o problema. O grupo tem estado em crise praticamente todo o século XXI, as várias vagas de reestruturações e despedimentos que já houve ilustram isso – a partir de certa altura, Balsemão passou a enviar cartas internas aos trabalhadores que já davam sinais muito preocupantes.

O que correu mal?

O problema aqui está na grande teimosia de Balsemão, que queria manter o grupo centrado no núcleo familiar. Penso que isso foi a grande asneira. Foi por isso, aliás, que Pedro Norton saiu do grupo – queria que Balsemão arranjasse um grupo estratégico europeu, mas tinha de ceder a maioria. Balsemão queria controlar tudo – despesas, o que se recebe ou não recebe, o que paga aos filhos… Não há nenhum parceiro estratégico que aceite pôr dinheiro e que depois não controle. Tem de haver pelo menos uma partilha. Balsemão teve oportunidade de fazer uma divisão 50/50 com a TV Globo e mesmo assim, à última hora, recuou, não quis ceder o controlo.

Não receia que as pessoas digam que este livro é uma vingança por ter saído do grupo?

Admito que há quem diga isso, mas na introdução do livro explico que achei que estava em condições para fazer a biografia de forma isenta. E nem acho que o livro seja muito crítico. Quanto a mim, o livro enaltece aquilo que Balsemão fez de positivo do ponto de vista político e na história dos media. E aponta também os problemas, como a criação da SIC e 40% do capital que teve de ir buscar ao estrangeiro, com recurso a um testa-de-ferro. Mas isso é tudo factual, está tudo documentado.

40% do dinheiro por detrás da criação da SIC entrou com recurso a um testa-de-ferro?

Sim, 40% do capital para criar a SIC teve de vir de fora de Portugal com recurso a um testa-de-ferro, que era um amigo de infância, Luís Correia de Sá. A lei só permitia que os órgãos de comunicação na altura tivessem 10% de capital estrangeiro. E Balsemão com 10% não ia a lado nenhum, não tinha dinheiro para a SIC. Esse Correia de Sá tinha estatuto de emigrante, explorava o catering de plataformas petrolíferas em vários pontos do mundo, principalmente em Angola. Isso dava-lhe o estatuto de emigrante, estava registado em Luanda. E os emigrantes, para poder facilitar a captação de capitais, podiam ter depósitos em divisas cá dentro e o Banco de Portugal não inquiria de onde vinha o dinheiro.

Balsemão combina que o grupo Pallas (um grupo de investimento internacional) dava o dinheiro ao amigo. E assim aparece Luís Correia de Sá com uma empresa em nome dele, a LCS, com os 40% na SIC. E até há uma comunicado interno do Balsemão a dizer que a partir do dia seguinte o seu amigo de infância ia entrar com 40% na empresa.

Mas a história acaba por tornar-se complicada: Luís Correia de Sá ganhou muito pouco com isto, uns 110 ou 115 mil euros, mas aparece na lista dos homens mais ricos de Portugal feita pela revista Fortuna. Afinal, é um dos homens por detrás da criação da SIC. Correia de Sá estava num processo de divórcio da mulher, que era belga e tinha ido para Bruxelas com as duas filhas. Ela viu a revista e avançou com um processo no tribunal de Bruxelas para ficar com metade de uma fortuna que ele não tinha. Correia de Sá perde o processo e hoje em dia está completamente falido, na miséria.

Acha que Balsemão vai perder tudo?

Não sei se vai perder tudo, mas está numa situação muito complicada.”

 

Tudo isto e muito mais está no livro agora lançado pelo conhecido jornalista, Joaquim Vieira.

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