Polémica: Nuno Markl coloca lugar à disposição

Nuno Markl e o Festival da Canção: “Esta tarde, pus o meu lugar à disposição”

A primeira semifinal do Festival da Canção tem dado que falar nas redes sociais. Depois de ter partilhado a canção de Salvador Sobral no Facebook, o humorista não se demitiu, tendo apenas colocado o seu lugar à disposição.

“Bom, já a pensar em facilitar a vida aos órgãos de comunicação, vou estampar a informação principal já aqui: esta tarde, pus o meu lugar de jurado à disposição; a RTP rejeitou a minha demissão. Vou, por isso, continuar como jurado”, começa por explicar Nuno Markl no comunicado partilhado na sua página no Facebook.

O humorista explica que não colocou o seu lugar à disposição devido às partilhas nas redes sociais. “Porque apresentei a minha demissão? Não, não foi por ter partilhado no Facebook a canção do Salvador Sobral. Conforme foi público na primeira eliminatória, essa canção recebeu a pontuação máxima do júri e eu faço parte dele. Gostámos muito dela, por isso, enquanto membro do júri que a consagrou como favorita, partilhei-a. Nada de invulgar. Não foi uma campanha, foi um post. Assunto arrumado”, frisa.

“Apresentei a minha demissão de jurado porque, entre o leque de canções da próxima eliminatória, está uma escrita pelo meu caro amigo João Só, com quem faço uma rubrica de baladas-por-encomenda às sextas-feiras na Rádio Comercial, no espaço ‘As Baladas de Dr. Paixão'”, esclarece Nuno Markl, sublinhando que consegue “perfeitamente separar as coisas”. “Nunca me passaria pela cabeça favorecer o João. Mas compreendo que o facto de eu ser jurado de um concurso onde um colaborador meu participa, pudesse levantar suspeitas”, acrescenta.

No comunicado, o jurado do Festival da Canção revela ainda que juntamente com direcção da RTP e o Presidente do Júri, Júlio Isidro, decidiu abster-se de votar na canção de João Só.

“Mesmo com estas polémicas e zaragatas, estou a adorar a experiência de ser jurado do Festival, sobretudo de um Festival onde se trabalhou no duro para conseguir reunir um painel de canções variadas, criadas por alguns dos melhores músicos portugueses da actualidade”, revelou. IN, Sapo

O COMUNICADO NA ÍNTEGRA:

“Bom, já a pensar em facilitar a vida aos órgãos de comunicação, vou estampar a informação principal já aqui: esta tarde, pus o meu lugar de jurado à disposição; a RTP rejeitou a minha demissão. Vou, por isso, continuar como jurado. Mas com uma nuance. Já lá vamos.

Porque apresentei a minha demissão? Não, não foi por ter partilhado no Facebook a canção do Salvador Sobral. Conforme foi público na primeira eliminatória, essa canção recebeu a pontuação máxima do júri e eu faço parte dele. Gostámos muito dela, por isso, enquanto membro do júri que a consagrou como favorita, partilhei-a. Nada de invulgar. Não foi uma campanha, foi um post. Assunto arrumado.
No texto que acompanhava o post, aproveitei para repudiar o quão asquerosas foram algumas mensagens de ódio e puro bullying nas redes sociais. Fiz esses comentários não para favorecer ninguém (ao ser a escolha oficial dos jurados, a canção já fora 50% favorecida, de acordo com as regras do festival), mas sim para prosseguir uma velha luta de sempre: a de que qualquer bully é um deplorável ser humano que merece ser denunciado. Sorte teve o António Variações em ter aparecido, com o seu visual e voz tão invulgares, numa era pré-redes. Hoje davam cabo dele. Assim, hoje, as redes sociais podem ser simpáticas e respeitosas para com o autor de Estou Além; o ódio prescreveu e a consagração do Variações aconteceu antes da invenção do Facebook. Sorte a dele, de facto.
Apresentei a minha demissão de jurado porque, entre o leque de canções da próxima eliminatória, está uma escrita pelo meu caro amigo João Só, com quem faço uma rubrica de baladas-por-encomenda às sextas-feiras na Rádio Comercial, no espaço As Baladas de Dr. Paixão. Eu consigo perfeitamente separar as coisas e nunca me passaria pela cabeça favorecer o João. Mas compreendo que o facto de eu ser jurado de um concurso onde um colaborador meu participa, pudesse levantar suspeitas. Em conversa com a direcção da RTP e o Presidente do Júri, Júlio Isidro, o que decidimos é que me irei abster de votar na canção do João. A média das votações nessa canção será feita sem a minha participação, e o facto será divulgado não apenas neste meu comunicado, mas também na própria noite do Festival, pelo Júlio Isidro.
É um facto que consigo encontrar ligações profissionais e de afecto entre mim e grande parte dos concorrentes desta edição do Festival. Para além de gostar muito do trabalho de vários deles – a Márcia, a Luisa Sobral, a Rita Redshoes, o Noiserv, a Celina da Piedade, o Toli César Machado, o Pedro Saraiva, o Jorge Fernando – há outros elos que me unem a outros compositores.
Vejamos: conheço o Nuno Gonçalves há anos; fui das primeiras pessoas na rádio a passar The Gift, em 1995. Comi, há muitos anos, uma épica sopa da pedra na casa dos irmãos, Nuno e John, feita pela mãe deles. Fui várias vezes ao bar que eles tinham em Alcobaça, o Clinic, passar música e até apresentar um dos meus livros.
O Samuel Úria já entrou em variados sketches meus, no Canal Q e no 5 Para a Meia-Noite (eu acho que um dia ainda o vou convencer a, sem largar a sua maravilhosa carreira musical, ter uma paralela como comediante – ele é extraordinário em tudo). Além disso, está no meu projecto de filme Por Ela, como um dos compositores da banda sonora.
O Pedro Silva Martins, com os restantes Deolinda, já criou um tema musical para uma rubrica radiofónica minha (Coisas Que Acontecem, em 2006, na Antena 3).
O João Pedro Coimbra, dos Mesa, tem um videoclip – Ele Domina – cujo argumento foi escrito por mim e no qual apareço como um dos protagonistas.
O Nuno Figueiredo e o Jorge Benvinda, dos Virgem Suta, para além de terem inaugurado triunfalmente os mini-concertos em directo da minha cave, tiveram a amabilidade de cantar, há uns anos, uma serenata romântica que escrevi num aniversário da Ana Galvão.
O Nuno Feist, para além de termos nascido na mesma noite, no mesmo local, e disso ter levado a uma amizade entre os nossos pais (a que talvez se deva o facto de ambos nos chamarmos Nuno), escreveu a meias comigo, há anos, uma marcha para uma parada de aniversário da SIC.
O Heber Marques é, juntamente com os HMB, um amigo das Manhãs da Comercial, tendo os HMB sido a banda dos concertos das Manhãs da Comercial durante algumas das nossas primeiras actuações em Lisboa e no Porto.
Há sempre ligações. E quem diz comigo, diz com os restantes elementos do júri. É difícil estar neste meio e as nossas vidas não se cruzarem, de forma mais ou menos intensa. Mas admito que, sendo actualmente o João Só meu parceiro das Baladas de Dr. Paixão na Comercial às 6as feiras, a coisa pudesse soar suspeita. Desse modo, ficou oficialmente decidido: irei abster-me de votar na canção do João.
Mesmo com estas polémicas e zaragatas, estou a adorar a experiência de ser jurado do Festival, sobretudo de um Festival onde se trabalhou no duro para conseguir reunir um painel de canções variadas, criadas por alguns dos melhores músicos portugueses da actualidade. A RTP escolheu-me, tal como à Inês Menezes, pelo nosso trabalho, na rádio e noutras plataformas, na divulgação de música portuguesa. Sempre foi um dos meus motivos favoritos para ter programas na televisão – como o 5 Para a Meia-Noite – o gozo que me dá mostrar às pessoas a música tão boa que se faz hoje em dia. É esse o espírito que levo também para as transmissões que faço em directo da minha cave aqui para o Facebook. E a verdade é que estou a adorar que se esteja a falar deste Festival de forma tão intensa – mesmo apesar das costumeiras alarvidades e agressões que se disparam nestas alturas (e também noutras, agora que penso nisso). Entristece-me um bocado o instinto de ódio que este país tem para com os seus artistas, independemente de quem eles sejam. Gostamos de odiar as nossas coisas – dá a sensação de que, para algumas feras violentas, não há distinção entre um Festival com canções escritas pelo Zé Cabra ou pelo Samuel Úria. Não parece haver, em algumas pessoas, sequer um laivo de boa vontade para gostar. Vive-se para abater alvos, e por vezes da forma mais reles e desumana.
Não sei se isto é da idade, mas ando a ficar tão cansado de ódio. Talvez seja a única coisa pela qual eu sinto verdadeiro ódio hoje em dia: o ódio. Gastam-se muitas energias a odiar tudo com muita força, indiscriminadamente. A um ponto que me leva a questionar: se as pessoas se enfurecem com esta força coisas que se passam num Festival da Canção, que fúria terão ainda para se enfurecerem com as coisas realmente dignas de fúria que acontecem na vida? Não sei. E se calhar, nem tenho de saber.
Vou mas é lanchar.
Paz e amor. E música da boa.” – Nuno Markl
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