Manuela Moura Guedes quebra o silêncio!

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A ex-jornalista da RTP e da TVI quebrou o jejum de entrevistas e fala da polémica em que esteve envolvida no programa “Barca do Inferno” que a RTP3 transmitiu e que tinha Nilton como moderador.

Manuela Moura Guedes critica os seus colegas de profissão e não se esqueceu de dar algumas alfinetadas ao humorista Nilton e a José Sócrates.

A mulher de José Eduardo Moniz confessa que hesitou dar esta entrevista e que até a adiou por diversas vezes:

Há alguns meses ligou-me uma jornalista a propor-me uma entrevista para o “Notícias ao Minuto“. Confesso que não fiquei muito entusiasmada , estou cada vez mais virada para a minha vida pessoal e tenho fugido , sempre que posso , da exposição pública. Mas a simpatia e insistência da jornalista acabaram por me fazer dizer que sim. Um sim, no entanto, que se concretizou, na altura, em não, por culpa minha . Todas as vezes que foi marcada a entrevista (e foram várias…)eu adiei e , por fim, já nem dei explicações à Inês , a jornalista do Notícias ao Minuto. Portei-me mal e quando tive noção disse, telefonei-lhe a pedir desculpa. Seria de esperar que a Inês me mandasse passear , malcriada como fui, mas não. Disse-me: “Então agora é que é!” . E foi e ainda bem que foi porque conheci a Inês Araújo e a Andreia Pinto, duas jornalistas que têm tudo para serem grandes , se o Sistema não as triturar.” – confessou a jornalista.

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Leia agora, na íntegra, a entrevista de Manuela Moura Guedes ao Notícias ao Minuto:

“Jornalismo como deve ser chateia algumas pessoas. Por isso fui afastada”

Manuela Moura Guedes chegou ao mundo da televisão aos 23 anos. Aluna de Direito, nunca chegou a concluir os estudos e nunca exerceu a profissão para a qual estudou. Foi desafiada a ir a um casting para a RTP e desde então a televisão passou a ser a sua segunda casa.

Uma entrevista feita por:

 

Afastada daquilo de que gosta de fazer há vários anos, lamenta o facto de não poder contribuir para um jornalismo mais justo e “menos cinzento”. Mas um possível regresso está sempre em cima da mesa. A entrevistada desta semana do Vozes ao Minuto é Manuela Moura Guedes.

Não há quem de imediato não a associe à polémica que coprotagonizou com José Sócrates. Alguns anos passados, a opinião sobre o antigo primeiro-ministro é a mesma: “só mostrou que não queria deixar o poder de maneira nenhuma”.

Perentória, afirma que Sócrates “foi de grande irresponsabilidade”, realça-lhe os defeitos da “mania da perseguição” e o facto de ter “posto em risco a vida de dez milhões de pessoas”.

Começou a sua carreira na televisão e acabou por nunca exercer na área para a qual tinha estudado. Qual a razão por ter optado por esse caminho?

Apareceu um concurso público na RTP e houve várias pessoas que me disseram para concorrer, apesar de eu não ter muita vontade porque achava que não ia a lado nenhum. Quando vim de férias tinha uma chamada da RTP para ir prestar provas. Fui às primeiras [provas] e estive quase a desistir, porque era muita gente. Quando cheguei comecei a ver e eram raparigas muito giras (…). Se tivessem chamado o meu nome um bocadinho depois eu talvez já não estivesse lá. Mas chamaram-me e a partir daí comecei a levar a sério.

Por todos os sítios que passou, ficou sempre marcada pela sua forte presença. Acha que foi essa sua frontalidade que a acabou por prejudicar no jornalismo?

Infelizmente, parece que são as minhas características. Mas não são, é o jornalismo feito da forma como deve ser que chateia algumas pessoas. Porque é que o jornalismo não é respeitado? Eu respondo: é porque o jornalismo e jornalistas deixaram-no cair quase no… Eu ia dizer no esgoto, mas é quase. Quando o jornalismo é criticado pelos próprios jornalistas, sabe-se o caminho que ele toma. Foi o que aconteceu.

“Costa e Marcelo parecem o ‘Roque e a Amiga’. Veremos daqui a uns tempos”

Sabido que defende mais políticas de Direita do que de Esquerda, Moura Guedes não tem problemas em admitir que Costa “tem um jeitão para a política”, mas não dá nota positiva ao Governo. Sobre a sua relação com Marcelo, tem algumas coisas a dizer.

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Se por um lado António Costa “tem um jeitão para a política”, Passos Coelho não tem sabido liderar a oposição. Quem o diz é Manuela Moura Guedes, antiga deputada que ainda não esqueceu o “animal político” de Paulo Portas, com quem diz estar “desiludida”. Já Marcelo Rebelo de Sousa, diz, mais parece um “Messias”.

Que avaliação faz do trabalho deste Governo?

O António Costa tem um ‘jeitão’ para a política. Um tipo que consegue aquilo que ele conseguiu, é de se lhe tirar o chapéu. Enquanto na campanha e como candidato foi péssimo, agora… Não sei se é pelo apoio do Marcelo, visto que os dois parecem o ‘Roque e a Amiga’. Está a ter muito bom desempenho com o povo, da maneira como responde. Já politicamente, as coisas que faz… Vamos ver daqui a uns tempos.

Nós estamos com os juros muito altos, o país não tem dinheiro, o dinheiro não é elástico, estamos com uma dívida como não tivemos até aqui, somos o segundo país com a dívida mais alta. Pior só a Grécia e esta está com um crescimento económico melhor do que o nosso. Os portugueses pagam cerca de 50 milhões de euros por dia.

Passos ficou agarrado à ideia de ‘Eu é que devia estar aí’. Há que abrir os olhos das pessoas porque aquilo que foi a mudança de austeridade, não o éContentamos-nos com umas coisinhas e vivemos felizes porque também a imprensa não é tão crítica com a este Governo como era com o outro. A imprensa tem este complexo de Esquerda que faz com que as coisas sejam desta maneira. De qualquer forma, quanto à oposição também não se pode dizer que Passos Coelho tenha sido um às no volante até aqui.

Significa isso que Passos Coelho não terá hipóteses nas próximas eleições?

Não sei, não faço ideia. Ele não soube encaixar na oposição.

O que é que lhe falta?

Falta saber gerir o lugar de oposição. Ficou agarrado à ideia ‘Eu é que devia estar aí’ e não fala muito para as pessoas. Há que abrir os olhos das pessoas porque aquilo que foi a mudança de austeridade, não o é. Por exemplo, as pensões, dão de um lado e tiram do outro. Mas ninguém fala disso. A ideia que se tem é de que a austeridade acabou. Acabou como? As pessoas estão a viver melhor? E o país, está melhor? Com os juros desta forma? Com uma dívida que está muito maior?

Em relação, por exemplo, ao aumento do salário mínimo, é mais justo que ele seja aumentado. Temos um salário mínimo miserável. Pessoas a viver com aquele dinheiro é uma coisa miserável. Passos Coelho dizer que foi uma medida populista é um disparate total. Populista pôr as pessoas a ganhar 567 euros por mês, para viver? Para serem retribuídos por um trabalho de um mês? É não saber o que está a dizer. É por isso que eu acho que há coisas que não entendo na oposição.

Acha que faz falta alguém como o Paulo Portas na oposição?

Eu já não penso no Paulo Portas. A partir do momento em que abandona a política e vai trabalhar para o ramo empresarial, não há-de voltar a fazer política. A mim desiludiu-me um bocado, confesso. Eu abandonei o Parlamento e renunciei ao meu cargo de deputada por causa dele.

Esperava mais?

Esperava. Podia sair, mas não desta forma. Consigo perceber que as pessoas queiram fazer dinheiro, mas isto foi demasiado.

Mas acha que alguém como ele que seria capaz de fazer frente a António Costa?

Não sei, provavelmente. Ele sempre foi um animal político. Mas eu não gosto de falar de ‘ses’.

Avançou-se recentemente com a notícia de que Passos Coelho teria feito um convite a José Eduardo Moniz, seu marido, para ser candidato à Câmara Municipal de Lisboa. Confirma esse convite?

Não vou falar sobre outras pessoas. Não confirmo nada.

Mas ficaria feliz se isso acontecesse?

Eu orgulho-me imenso da carreira do meu marido e das qualidades que ele tem que são muito boas. Ele tem provado que tem imensas qualidades para liderar qualquer projeto. Ele pôs uma televisão que estava falida e à beira de fechar como líder e a dar muito dinheiro. De tal forma que foi vendida com muito lucro em 2005. Foi ele que, obviamente com uma grande equipa da qual tenho orgulho de ter feito parte, construiu um projeto que tinha pés e cabeça e que tinha resultado. Ele tem mais do que qualidade para estar à frente de qualquer projeto.

“Não estamos perante um Papa e aquilo às vezes confunde-se com o Papa Marcelo”

Olhando agora para fora de Portugal, o que pensa do resultado das eleições nos EUA?

É espantoso que um homem como aquele [Donald Trump] seja eleito e isso põe-nos a pensar sobre as eleições por voto popular. A forma como estes homens têm de manipular e encher a cabeça das pessoas. É tão inconcebível que aquele país tenha eleito o Obama que foi, na minha opinião, um tipo fantástico, e que depois venha um outro a seguir que é um verdadeiro troglodita. O Obama diminuiu o desemprego, apanhou aquele país na maior crise desde os anos 20, conseguiu um crescimento económico maior do que o previsto, tinha um programa de saúde que dava acesso, pelo menos, a 20 milhões de americanos, falou sobre minorias, direitos civis, liberdades e vem agora este restringir os direitos à saúde.

Essa comparação que fez pode, no caso português, assemelhar-se com a passagem de Cavaco para Marcelo, mas num sentido oposto? Uma mudança que deu um novo ânimo ao povo português?

A Presidência é a Presidência, não estamos perante um Papa e aquilo às vezes confunde-se com o Papa Marcelo. Ele tem funções próprias de Presidente, é um cargo político, um órgão de soberania. Foi eleito com a ajuda de um partido político, o PSD, e com a estrutura toda do PSD a trabalhar em grande para a sua eleição. Não foi uma coisa que brotou do chão. É bom que as pessoas vejam que isto é uma personagem política, não é um Messias. Qualquer comparação com o antecessor é melhor, mas podíamos ficar ali no meio, com uma coisa equilibrada. Corremos o risco de, daqui a uns tempos, lhe serem exigidas responsabilidades por tanto dizer que está tudo tão bem, de estar a criar um sentimento de que o país está na melhor das situações. Tem de ser responsabilizado, não só o Governo mas ele também. Aqui não é tudo cor de rosa como um palácio. Parece que estamos num conto de fadas o que não é a realidade.

 

 

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