José Rodrigues dos Santos: “os políticos querem-me fora do jornalismo”

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José Rodrigues dos Santos já vendeu três milhões de exemplares dos romances que escreveu. No momento em que “Vaticanum” chega às livrarias, o jornalista diz que “há críticos em Portugal que se afogam na inveja”.

 

Considera que a crítica literária em Portugal é justa para com as suas obras?
Não é uma questão de justiça. A crítica em Portugal divide-se muitas vezes segundo linhas de apreço pessoal, e constato que alguns críticos exigem que eu escreva de uma maneira que não quero nem gosto de escrever. Já a crítica internacional é esmagadora na apreciação positiva da minha obra. Basta ler o que os críticos literários escrevem em França, na Alemanha, na Holanda, nos países de Leste, e ficamos elucidados.

Em Portugal, ao contrário do que acontece no estrangeiro, ainda se avaliam as obras sem dissociar as mesmas do seu autor? Por que razão considera que isto acontece?
Porque um crítico português não consegue, e isso é natural e humano, separar do autor a análise da obra. Se o crítico simpatiza pessoalmente comigo, tende a ser simpático. Se antipatiza, tende também a refletir isso na crítica. Já o crítico internacional não me conhece de parte alguma, não tem simpatia nem antipatia, não tem ideias pré-concebidas e limita-se a avaliar o que lê.

Ghost writers ou não ser o próprio a escrever os seus livros: qual o rumor que mais o diverte e porquê?
Todos os rumores me divertem porque refletem alguma desorientação perante a minha obra. Só os leitores portugueses é que não estão desorientados. Sabem o que querem. E não são nada parvos. Os leitores de livros são um público especial, culto e informado, e muito exigente. Há críticos que na sua arrogância acham que os leitores são estúpidos e não percebem que é o contrário, os leitores são bem mais inteligentes do que eles.

Investigação ou escrita do livro: qual é a fase da criação que mais o entusiasma?
As duas. Uma obra é essencialmente transpiração pintalgada por inspiração, para usar o velho cliché, e isso reflete-se na investigação e na escrita. Só não gosto da fase de revisão. Aborrece-me.

Vai continuar a não responder à pergunta sobre qual o seu livro de que mais gosta?
Não é que não queira responder, é que não sei como responder a essa pergunta.

Qual a sua maior referência literária? Porquê?
William Somerset Maugham. Mostrou como é possível falar de coisas profundas de uma forma fluida, compreensível e interessante. É o grande mestre.

Considera que as suas obras têm uma conotação política e que quem as lê pode atribuir determinada inclinação ideológica?
De modo nenhum. A minha orientação ideológica é a verdade e a verdade não é de esquerda nem de direita, é a verdade. Sinto-me livre para expor a verdade sem complexos nem me deixar condicionar pelo bullying manobrado pelas agências de comunicação dos partidos, e creio que os leitores, que não os políticos, apreciam isso.

Vai continuar no jornalismo por muitos anos? De que forma esta profissão o complementa enquanto romancista?
Ser jornalista faz parte da minha identidade, pelo que não faço tenções de abandonar esta profissão.

Mas existem pessoas em Portugal que querem vê-lo fora do jornalismo?
Os políticos, sem dúvida. Não direi todos, pois naturalmente nem todos são iguais nem se pode pôr toda a gente no mesmo saco, mas muitos, talvez a maioria, não quer jornalistas incómodos, que fazem perguntas inconvenientes e que expõem a mentira. Preferem o jornalismo do respeitinho, da cumplicidade, da submissão aos interesses instalados. Para esse tipo de políticos, um jornalista obcecado pela verdade provoca incómodo.

Ainda existe algum tema que não tenha explorado nos seus romances e que lhe apeteça aprofundar para um próximo livro?
Com certeza que sim. Espere pela próxima obra e verá.

Como definiria o seu mais recente thriller, “Vaticanum”?
É um romance sobre a corrupção na Santa Sé e conta histórias reais com nomes verdadeiros sobre as negociatas entre o Vaticano, a mafia e a classe política. Esse é o tema real do livro. O ponto de partida ficcional é o rapto do papa por um comando do Estado Islâmico. Digo que isto é ficcional, mas na verdade ainda no mês passado o Estado Islâmico anunciou que o seu inimigo número 1 é o papa. Não é o presidente dos EUA nem o primeiro-ministro de Israel, é o papa. Isto mostra que a “ficção” no romance não é tão ficção quanto isso.

Afinal, o que escondem os bastidores do Vaticano?
Muita lama, acredite. E envolve papas, incluindo João Paulo II. A minha mulher acha que é o livro mais escandaloso que já escrevi.

Espera obter mais reações enérgicas por parte da Igreja Católica com o seu novo trabalho?
Do que vai a Igreja acusar-me? De dizer a verdade? Mas dizer a verdade é justamente o meu dever.

IN, Económico
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One Comment Add yours

  1. Antunes diz:

    Um sujeito absolutamente boçal e simplório, que dá entrevistas em que não se aproveita um único raciocínio digno desse nome, mas que se julga um profundo pensador dos nossos dias confirmado com a sua – imaginária – consagração “lá fora”.

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