RTP: Hugo Andrade escreve texto de despedida

ng2712332“Boa noite.

Fui hoje oficialmente exonerado das minhas funções como diretor da RTP1, RTP Memória e RTP ÁFRICA.

Chega assim ao fim mais uma etapa da minha vida profissional.

Foram muitos anos a trabalhar na primeira linha de uma empresa que é um pedaço de mim e uma das maiores marcas de Portugal.

Trabalhei com grandes profissionais e com todos aprendi um pouco, ou muito.
Entrei para a Direção em 2002 com o Luis Andrade, o Nuno Santos e o Luis Silveira.
Mais tarde juntaram-se a nós a Maria São José, o João Nuno Nogueira, o Bruno Santos e o Zé Fragoso.

Foi o começo desta longa caminhada e vivemos anos de enorme envolvimento e também sucesso.

Tempos difíceis mas muito desafiantes.
Aprendi, lutei e cresci, mas acima de tudo, honrei a casa onde trabalho e onde tenho orgulho de trabalhar.
Em 2008 fui convidado para dirigir a RTP Memória. Foram tempos muito bons. Trabalhar com a história, a nossa.

Desenhei um projeto que chegou longe. Ajudei a dignificar o passado dos meus colegas de profissão e de todos que construíram aquele que é o maior património da RTP, o seu arquivo.

Em 2011 novo desafio. O maior. Acumular a Direção da RTP Memória com a gestão do primeiro canal do Serviço Público de Televisão. Que honra.
Desde o primeiro dia encarei o desafio como uma missão. Vivíamos momentos de grande crise no país e na empresa.

O mercado a mudar, a fragmentação de públicos, o crescimento do cabo e das plataformas digitais.
Foi também o momento da transição para a TDT com muitas consequências negativas para os cidadãos e para a RTP. Processo errado, mal feito. À portuguesa, como se costuma dizer.

Logo depois a nova medição de audiências feita pela GFK. Nem vou fazer grandes comentários.
Basta dizer que de um dia para o outro a RTP viu amputado o seu resultado em cerca de 20%.
À portuguesa, digo agora eu.

Depois a convulsão que resultou de uma hipotética privatização da empresa e da possibilidade de encerramento da RTP2.

Resultado imediato de tudo isto? Uma desvalorização do Serviço Público, do valor da empresa e uma perceção pública sobre a utilidade da RTP muito negativa.
Consequência também grave. O Diretor da RTP2 decide sair e vejo-me a braços com a gestão de mais um canal, importantíssimo na logica de um operador público e sem o mínimo de condições e recursos para poder fazer um bom trabalho.

A gestão da RTP2 foi neste meu percurso o chamado milagre possível.
Com muito prazer passei o testemunho e a gestão da RTP2 ao meu colega Elisio de Oliveira em meados de 2013.

E ainda recentemente passei também a dirigir a RTP África, o mais focado canal do grupo na minha perspetiva, neste caso também em função de uma reorganização da estrutura da empresa.

Assim, nos últimos sete anos geri quatro canais do maior grupo de comunicação do País.
Foram tempos desafiantes, difíceis, duros, muitas vezes em enorme solidão mesmo quando sentia a força, o apoio e a ajuda dos colegas mais próximos e da generalidade dos colegas da empresa.

Com a ajuda de muita gente, o envolvimento dos profissionais da casa, a colaboração dos agentes externos, o empenho dos Artistas e de parte da indústria de televisão em Portugal, fizemos o nosso caminho. Recuperámos o tempo perdido. Recuperámos o carinho dos cidadãos, recuperámos audiências, recuperámos o bom nome da nossa empresa.
Devolvemos a RTP aos portugueses, mais forte e reconhecida.
Hoje chega ao fim este ciclo.

Tinha de acontecer mais tarde ou mais cedo.
Aconteceu agora.

Não importa o porquê nem como se processou esta mudança.
O Serviço Público pode levar outros caminhos. É natural que assim seja.
Mas neste período fizemos o que podíamos e devíamos fazer.
Quem está por dentro destas coisas percebe bem o que quero dizer.
Hoje é para mim um dia feliz. Saio das minhas funções de cabeça erguida, de consciência tranquila e com sentido de obra feita.

Agradeço a todos os que fizeram esta caminhada a meu lado, aos que me puxaram e aos que me empurraram.

Agradeço aos que me deram conselhos, aos que me criticaram com justiça, aos que me alertaram e abriram outros caminhos.
Agradeço aos que estiveram mais próximos e aos que se afastaram também.
Agradeço a enorme onde de amizade na hora da saída.
Aos que fizeram o favor de me vir dar um abraço, de ligar, enviar mensagens ou apenas de me sorrir no momento certo.

E agradeço aos que ficaram em silêncio ou simplesmente deixaram de aparecer.
Agradeço mesmo a todos porque a vida é feita destas coisas, de pessoas todas muito diferentes.
Agradeço à minha equipa. A todos os que comigo trabalharam mais diretamente, que me ajudaram e que são grandes profissionais.
Agora é tempo de abraçar outros desafios nesta casa que sinto como minha mesmo sendo de todos.

É tempo de dar espaço a outros protagonistas esperando que tudo lhes corra bem em nome de uma RTP mais forte.
Eu estou por aqui. E estou bem.

Um abraço especial ao Luis Marinho, José Mnauel Portugal, Fausto Coutinho e Elísio Oliveira que me acompanham nesta hora de mudança.
Foi um prazer trabalhar convosco.” – escreveu o agora ex-director de programas da estação pública.

 

 

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